CATÁLISE
HETEROGÊNEA:
A catálise é a ciência que estuda o
desenvolvimento, a caracterização e a
aplicação dos catalisadores. Por
definição,
catalisador é toda substância que, colocada no
meio
reacional, apresenta a capacidade de aumentar a velocidade da
reação em questão, sendo regenerado ao
final do
processo. Evidente que esta capacidade de aumentar a velocidade de uma
reação, implica na formação
de
intermediários químicos, com menor energia de
ativação e grande facilidade de
decomposição nos produtos desejados e no
catalisador, ou
seja, uma rota de reação distinta é
criada, mas o
produto final é o mesmo que na reação
não
catalisada.
Se o catalisador estiver na mesma fase dos reagentes e produtos,
define-se a catálise como homogênea.
Já, se o
catalisador estiver em fase distinta aos reagentes e produtos a
catálise é heterogênea. Muito embora
esta diferença pareça meramente
didática,
suas implicações são bem maiores pois
envolvem,
por exemplo os cuidados para se evitarem efeitos difusivos intra e
extra particulares nos catalisadores heterogêneos, assim como
a
necessidade de se estudar métodos de
separação do
catalisador, após a reação, na
catálise
homogênea.
O Brasil passou a reconhecer a
importância
estratégica do estudo da catálise e do
desenvolvimento de
catalisadores, em função de questões
políticas ocorridas durante a década de oitenta
do
século passado, no episódio conhecido como Guerra
das
Malvinas. Quando a Argentina declarou guerra à Inglaterra
pela
posse das Ilhas Malvinas (Falklands para a Inglaterra), o Brasil deu
apoio a seu vizinho latinoamericano e sofreu ameaça de
retaliação por parte dos EUA (que apoiavam a
Inglaterra),
no que se refere a aquisição de catalisadores
petroquímicos. Este tipo de ameaça serviu de
alerta para
a total dependência da nação em
relação a importação de
catalisadores, pois
sem os mesmos ocorreria um colapso quase que total de toda a
indústria petroquímica, desde a
produção de
combustíveis, como gasolina e diesel, até as mais
diversas operações dos polos
petroquímicos
instalados.
A partir destes fatos, as instituições
de fomento à pesquisa passaram a incentivar, de forma crescente, esta
área do conhecimento químico. Atualmente o Brasil
apresenta vários grupos de
pesquisa consolidados, tanto em universidades, como por exemplo o
NUCAT/COPPE/UFRJ, o IME e o Laboratório de Catálise da UFSCar, assim como em centros de pesquisa, caso do
CENPES/PETROBRAS.
Meu interesse pela área de
catálise, iniciou-se durante meu curso de
graduação em Engenharia Química na UFRJ.
Inicialmente como bolsista de Iniciação Científica
e posteriormente como aluno de Mestrado e Doutorado tive a oportunidade
de ser orientado diretamente pelo Prof. Dr. MARTIN SCHMAL, uma unanimidade dentre os diversos pesquisadores brasileiros de destaque, na área de catálise.
Dentre as diversas áreas da
catálise
heterogênea, nosso principal interesse no LACOM é
o estudo
de catalisadores metálicos, com enfase para metais
nobres, como o paládio e a platina, e óxidos
metálicos, em especial para as perovskitas.